30.9.07

Reciclagem de pensamentos:

Somos todos seres ambíguos.

"Hoje em dia já ninguém morre por amor.", diz a minha professora.

E eu respondo, "Pois não, agora morre-se por falta dele."

Já faltou mais...





Mas o tempo é uma ilusão.

Rub it 'til it bleeds

eram três da manhã quando abri a janela e vi o sol. soube que devia estar muito drogada para ver tal coisa mas isso pouco me importou.
fechei a janela e voltei a abri-la. fechei-a de novo e ABRI! e sol continuava lá, uma enorme mancha amarela no azul da noite. sorri como nunca e corri pela casa.
ouvi vozes a sussurrarem-me no ouvido, todas diziam "dança dança...". fiz o que me disseram e dancei. rodopiei como um pião e acabei por cair no chão, mesmo por debaixo do parapeito da janela. fechei os olhos e inspirei, senti todo o meu corpo a inchar, inchar e mesmo perto da explosão, abri os olhos! Saltei e atirei-me contra a cama, contra a cadeira, contra as paredes! sangrei do joelho e pingas de sangue pintaram o chão. pus o dedo numa delas e desenhei uma cara, tentei que fosse minha mas não consegui. ao invés, desenhei a cara do sol. sorri para ele e ele para mim. de repente vi fadas, pegaram-me nos cabelos e começaram a fazer-lhe tranças. depois pensei "e se eu lhes desse o meu cabelo? já não me faz falta... mas isso daria muito trabalho. e se eu cortar a cabeça???"

depois não sei o que fiz mas sei que agora já não tenho cabeça.

Vigésimo post, no trigésimo dia de Setembro.

29.9.07

"You could be my black Kate Moss tonight" Kanye West

LOL

Finalmente a chuva chegou! :)

28.9.07

De volta à verdade


lá está ela abandonada na minha cama, de ventre para cima, tão receptiva ao meu amor. Deixei a cama depois de ela ter adormecido. não quero que me sinta enquanto dorme, tenho de fugir-lhe ao coração. Peguei na câmara e vi-lhe as mãos através das lentes embaciadas, fotografei-as e guardei-as em negativo, no meu olho. é tudo o que quero guardar dela. dela e de todos os outros.

Na parede ainda estão as marcas das suas palmas quando a atirei com violência contra a parede, os cabelos dela pairaram no ar e o crânio dela embateu no cimento. Ela sabe que o fiz com amor, so quero a minha dor com ela, a dor de nunca a conseguir amar em pleno.

"quero comer-te as mãos!" é tudo o que lhe digo quando fazemos sexo. e ela, num gesto de pura misericórdia, cai inerte na cama com as mãos despidas pousadas nos lençóis prontas para eu as morder.

E aí eu rejubilo, até cair congelado na cama, acabado.

sou o maldito vírus que irá acabar contigo, nem que para isso tenho de te algemar.

27.9.07

Nunca as despedidas demoraram tanto.

26.9.07

o choque das 5 letras.

(e do hifen)

25.9.07

hoje fiz a cama duas vezes.

detestei ter de fazê-la à tarde quando saíste de cima dos meus lençóis, quando tive de fechar tudo, deixar tudo intocável como se nada tivesse acontecido ali. detestei voltar à normalidade.

e amanhã voltarei a fazer a cama. duas vezes

22.9.07

hoje a minha mãe perguntou-me porque rapei o cabelo. disse-lhe que era um projecto mutuo entre mim e Ele. nao Ele o Deus, mas o meu Ele. não lhe darei nome porque isso seria amarra-lo a pequenas silabas que nada me dizem. para mim, ele é simplesmente Ele, penso n'Ele e vejo-lhe todo o corpo, todas as moléculas que o constituem.
a minha mae perguntou me porque rapei o cabelo e menti-lhe. menti-lhe a ela e a mim própria. tentei imaginar que aquilo era um projecto mutuo, à medida que a minha feminilidade diminuia, a d'Ele aumentava, ao mesmo ritmo que os seus cabelos cresciam. eu tornava-me n'Ele e Ele em mim. seriamos o nosso proprio fim, um suicidio assistido, um homicidio planeado.
mas menti-lhe a ela e a mim própria. sabia que no fundo tentava destruir-me, tornar-me num minimo, reduzir me ao indispensavel. queria que me vissem tal como era, só com uma leve camada de roupa que facilmente poderia ser tirada. queria que me vissem mas ninguem viu para alem da mentira.

na sala de reuniões vazia...
estou eu com a garrafa do álcool. a garrafa do álcool que sempre me conforta depois do trabalho. não percebo porque me incitaram a estudar e arranjar emprego para depois me afogar nesta merda de garrafa. sinto o cabelo oleoso por entre os dedos, não consigo parar de lhe mexer imaginado as mãos de um amante entrelaçadas em mim. bebo mais uma vez, já perdi a conta do número de vezes que bebi hoje. ou era na casa de banho, ou às escondidas na pausa para o tabaco. todos me conhecem embriagada mas não o sabem, vêem a verdade mas nunca a reconhecem. eu gostava de ser como alguns que vivem tão embriagados quanto eu mas pela vida e não pelo álcool. Quero amaldiçoar os homens por terem produzido a porcaria das bebidas brancas que se tornaram no meu vício mais impuro.

sei que vou chegar a casa sozinha e lá dormirei sozinha. durmo sem roupa interior na leve esperança que um dia alguém entre em casa sorrateiramente e me agarre. enquanto adormeço, mexo ligeiramente os ombros para sentir o lençol a roçar na minha pele. sei que é estúpido e infantil mas não serei eu tudo isso?

e mais uma vez bebo e sinto-me a arder por dentro.

19.9.07

Fenómenos do Acaso


Hoje ia na rua quando a chiclet caiu ao chão. do nada apareceram quatro velhas que me espancaram com as suas malas. dentro delas havia pedras e fui espancado violentamente em todo o corpo. doeu muito e chorei que nem um bébé, não senti o meu ego diminuir mas sim o meu nariz, que se assemelhava a uma mancha de ketchp.. perguntei-me se alguém iria lá molhar batatas ou afundar um fio de esparguete.
poderia ser que a esparguete, que por acaso se chamava márcia, iria penetrar-me o cérebro e socializar com os meus neurónios. comunicariam com impulsos electricos por isso a Márcia deveria ser descente de enguias.
Segundos depois senti uma enorme dor de cabeça e agarrei-a, não a dor mas a cabeça e abri o olho esquerdo. as velhas tinham-se ido embora e o meu nariz estava intacto. Peguei na chiclet, levantei-me e fui ao starbucks.

18.9.07

1 ano de vida! 1 ano de vida! 1 ano de vida!
Não é emocionante?
Parabéns a mim! Parabéns à Matilde!


Parabéns ao blog!

.Versão 1962:



.Versão 1997:



Quero que me dês uvas sem caroço enquanto me banho em leite.
Quero que me lambas os pés enquanto vejo o Dr. Phill.
Quero que me leves à lua enquanto faço ovos mexidos.


Quero que sejas o MEU ESCRAVO!

fazes-me panquecas?

por favor.

16.9.07

"O Doutor Jivago"

Eu tenho pena da Lara. Está com um esgotamento.

15.9.07

O poema pouco original do medo


O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis

Vai ter olhos onde ninguém os veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no tecto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos

O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
óptimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projectos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo

(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

*

O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

Sim
a ratos




1960, Alexandre O’Neill
Poesias Completas

14.9.07

Guerra

“Eu fui amaldiçoada.”, Acho que esta é uma das frases que mais ouvi a minha mãe dizer e tudo porque o meu pai morreu sem me conhecer.
Morreu novo, na guerra, e a minha mãe viu tudo, era repórter na altura. Achava que tinha uma missão, que devia passar por momentos cruéis, ver sangue e morte para depois mostrar ao mundo os podres da guerra e de quem a faz. Claro que depois apareceu o meu pai e a minha mãe começou a ver a vida de outra maneira.
Ela dizia que ele era um homem muito bonito e que eu tinha mais traços dele do que dela. As sardas e os cabelos pretos nunca foram uma combinação muito vulgar.
Acho que ele era um homem muito bom e um dos melhores soldados, mesmo tendo sido forçado a entrar naquela guerra. Ele estava contra ela e por isso não devia ter morrido a combater.
A vida abandonou o meu pai mais cedo do que o que era suposto e eu e a minha mãe estávamos destinadas a ficar sozinhas, porque ela não estava disposta a amar outra vez.
Acredito que se fosse ao contrário, se tivesse sido a minha mãe a morrer, o meu pai ia sentir o mesmo. Eles eram o mesmo ser, completavam-se e nunca pensaram, se quer, em separar-se.
Uma vez a minha mãe disse-me que é muito difícil sentir-se amor, carinho, amizade e paixão pela mesma pessoa, e eles conheceram-se num momento tão complicado, passaram tanto tempo juntos, que acabaram por sentir tudo isso um pelo outro.
Foi a minha mãe que encontrou o meu pai morto e isso foi o pior que podia ter acontecido. Nunca mais tirou a imagem do corpo dele, desfeito, da sua cabeça.
Desde aí, a ideia de que também ela devia ter morrido não a abandonou mais, assim como as doenças que começaram a afecta-la tanto psicológica como fisicamente, doenças essas que acabaram por tirá-la de mim.
Ela tinha um baú onde guardava todos os retratos que tirou do meu pai e todas as imagens de medo e ódio que captou com a sua Zeiss Ikon que tanto adorava. Hoje esse baú é meu, é parte do que eu sou e também como a minha mãe eu abro-a todos os dias e penso o quão irónica e imprevisível a vida é.
Para ser sincera, agora eu é que me sinto amaldiçoada. Nem duas décadas de vida tenho e já sou orfã de pai e mãe. Ela deixou-me, finalmente conseguiu o que queria, vai ter com ele, e não sei se hei de ficar feliz por isso, por o sofrimento dela ter acabado, ou se me hei de sentir a pessoa mais atraiçoada do mundo por ter tido uma mãe que nunca soube amar sozinha. Deixou-me, sem piedade, porque viveu todos estes anos submersa no passado, esquecendo-se que metade de mim é ele e que eu podia ter sido o motivo para continuar viva.
A minha mãe viveu de amor e egoísmo, viveu das sombras da guerra. Não era perfeita e acabou por morrer nas mãos do que a manteve viva.


" Se eu nunca disser "Olá!", também nunca vou ter de dizer "Adeus!". "

6.9.07

atirei o gato ao pau.

sem pudor, sua barriga foi esventrada e o gato… o gato. O gato miou. Ouvem o gato? O pobre gato preto manchado de sangue, o pobre gato preto. Poderiam as superstições salvá-lo… mas não, o gato morre em sangue. As suas garras rasgam o céu com o atrevimento de um tolo. O seu miar insulta o de lá de cima com a loucura de um doido. E o gato… o gato Morre!


O pau, esse felizardo, continuou com a sua frondosa vida de inerte morto

1.9.07

Aceito dedos com indulgência,
vagidos dentro de mim sobem à terra.
Aqui não há céu, pelo menos para já;
Neste húmido quarto de betão, deus não me corrompeu.


A maça apresenta-se à minha frente, despida de casca, prestes a ser comida.
Sou Adão profano, Senhor de deus
Sou herege amante, servente de Eros.
Neste húmido quarto de betão, deus não a corrompeu.

O mijo escorre pelas paredes
Dissolvendo tudo em amarelo.

29.8.07

Odeio-te com um vigor incomensurável,
odeio-te com a força deste universo e do outro,
odeio-te ainda mais que Deus, se este também te odiasse.

Odeio-te como odeio a fome,
odeio-te como odeio o desejo insaciável,
odeio-te como odeio festas populares.

Odeio-te como se fosses a única pessoa no mundo que pudesse odiar
(o que até se revela verdade).

Odeio-te com um enorme amor ao ódio e com um enorme desprezo à tua pessoa.


Odeio-te com todas as minhas forças e é isso que me faz pensar que te amo.

“Num momento de desvario, poderia pegar-te nos braços, torcê-los como à roupa lavada para lhe tirar a agua, ou parti-los ruidosamente, como a dois ramos secos, e depois fazer-tos comer à força. Poderia, segurando-te a cabeça entre as mãos, com um ar caridoso e doce, enterrar-te os dedos ávidos nos lóbulos do teu cérebro inocente, para extrair de lá, com um sorriso nos lábios, um unto eficaz que me lave os lhos, doridos da eterna insónia da vida. Poderia, cosendo-te as pálpebras com uma agulha, privar-te do espectáculo do universo, e pôr-te diante a possibilidade de encontrares o teu caminho; e não seria eu a servir-te de guia. Poderia, erguendo o teu corpo virgem com braço de ferro, agarrar-te pelas pernas, fazer-te girar à minha volta como uma funda, concentrar as forças na última circunferência, e lançar-te contra o muro. Cada uma das gotas de sangue irá cair sobre um peito humano, para assustar os homens e pô-los diante da minha maldade! Não pararão de arrancar o pedaços e pedaços da própria carne, mas a gota de sangue continua inapagável, no mesmo lugar, e brilhará como um diamante. Fica descansada, que eu darei ordens a meia dúzia de criados para guardarem os restos venerados do teu corpo, e os preservarem da fome dos cães vorazes. Claro que o teu corpo ficou colado ao muro, como uma pêra madura, e não caiu no chão; mas os cães podem dar grandes saltos, e é preciso ter cuidado com eles.”

- os cantos de Maldoror, de Isidore Ducasse.

Um pote laranja fez de cavalo de Tróia na secretária, a sua tampa elevou-se com o rufo dos tambores imaginários e milhares de soldadinhos hologramas saíram de dentro dele como uma enchente que tudo destrói. Soaram as armas, os gritos e os pés a baterem no chão, foi o caos no meio do nada. Os soldadinhos continuaram a disparar e decapitar o ar que silenciosamente clamava por ajuda. As espadas eram esbracejadas ao acaso, rompendo peitos e músculos, derramando um sangue que era tudo menos líquido. O pó elevou-se no ar como uma praga de gafanhotos e envolveu os soldadinhos que continuavam a correr de um lado para o outro. Os seus distintivos brilhavam face à incandescência do sol e também eles matavam com a ferocidade da cegueira. Tudo era destruição nestes soldadinhos hologramas. E agora eles cantam a vitória! VITÓRIA!
Correm de novo para o pote, a tampa fecha-se.
O ar continua vivo.

O sol abriu-nos os olhos com a felicidade imensa do novo dia, sorriu-nos ao de leve. o vento elevou-nos as bochechas fazendo com que as gargalhadas nos escapassem por entre os lábios. Os prados verdejantes acenavam-nos em tom de convite e por entre eles nós corremos que nem lebres, corremos e corremos sem fim.

(deixemo-los correr sem fim)

28.8.07

PROCURA-SE DOCE ALMA QUE ME EMPRESTE UMA PORCARIA DE UMA PEN!

(senão não posto)

21.8.07



Ela está a aprender o que é o amor.

18.8.07

procura-se telescópio humano.

17.8.07

Exma. Sr. Dra. Dora,
venho por este meio comunicar-lhe a enorme vontade que tenho de me alistar no seu blog, o blog do ódio.
Sou uma famalicense revolta e escrever ódio com palavras odiosas e merdosas parece me a melhor soluçao para deitar todo este ódio para fora de mim e julgo que fazê-lo no seu blog é uma decisão acertada, já que este existe exactamente para este tipo de fins.
Fico a aguardar a sua resposta. Obrigada pela atenção.

Com os maiores cumprimentos,

Sophia.

16.8.07

Dear brothers and sisters dear enemies and friends
Why are we all so alone here
All we need is a little more hope, a little more joy
All we need is a little more light, a little less weight, a little more freedom.
If we were an army, and if we believed that we were an army
And we believed that everyone was scared like little lost children in their grown up clothes and poses
So we ended up alone here floating through long wasted days, or great tribulations.
While everything felt wrong
Good words, strong words, words that could've moved mountains
Words that no one ever said
We were all waiting to hear those words and no one ever said them
And the tactics never hatched
And the plans were never mapped
And we all learned not to believe
And strange lonesome monsters loafed through the hills wondering why
And it is best to never ever ever ever ever ever ever ever ever ever wonder why
So tangle - oh tangle us up in bright red ribbons!
Let's have a parade
It's been so long since we had a parade, so let's have a parade!
Let's invite all our friends
And all our friends' friends!
Let's promenade down the boulevards with terrific pride and light in our eyes
Twelve feet tall and staggering
Sick with joy with the angels there and light in our eyes
Brothers and sisters, hope still waits in the wings like a bitter spinster
Impatient, lonely and shivering, waiting to build her glorious fires
It's because of our plans man; our beautiful ridiculous plans
Let's launch them like careening jetplanes
Let's crash all our planes in the river
Let's build strange and radiant machines at this jericho waiting to fall

Letra de "built then burn (hurrah!hurrah!)" - A Silver Mt. Zion

15.8.07

Durante a Idade de Ouro, quando a Primavera era eterna e os homens viviam em harmonia com os deuses, Astréia, filha de Júpiter e Têmis, vivia na terra, entre os humanos, aconselhando-os e dando-lhes noções de leis e justiça. Nesta época, não haviam no mundo guerras, catástrofes ou crimes. A Natureza era plena e oferecia alimento a todos os homens, que existiam em paz com os deuses.
Mas os homens tornaram-se gananciosos e passaram a negligenciar as suas obrigações com os deuses, julgando-se donos do próprio destino. Irritado com a prepotência dos mortais, Júpiter determina um castigo: a Idade de Ouro tinha acabado. A Primavera seria limitada, a terra deveria ser tratada para produzir frutos e a juventude eterna não existiria nunca mais.
Ao ver o comportamento dos humanos e os castigos que o Deus dos deuses lhes impunha, Astréia refugia- se nas montanhas, mas continua à disposição de todos aqueles que a quiserem procurar para ouvir os seus sábios conselhos.
Mesmo com todos os castigos de Júpiter, a punição da humanidade não terminara e os homens descobrem a guerra. Este período belicoso caminha para uma nova era, a Idade de Ferro, em que os homens já não respeitam a honra, a franqueza ou a lealdade e onde as suas acções são determinadas pela ambição e pela violência.
Ao ver o ponto em que as coisas estavam, Astréia, entristecida, resolve abandonar a Terra e deixar de conviver com os mortais. A deusa, refugia-se no céu e a Balança que utilizava forma a constelação de Balança, para lembrar aos homens que o mundo é regido por leis, que tudo deve ser ponderado e que as suas acções devem ser pesadas relativamente às suas consequências.




Eu sou balança.

13.8.07



"Listen, Donna. I'm talking, Donna. I have to go to the bathroom, Donna."















"Hey! Tu... Não te metas comigo! Eu sou supa sexy, estás a ouvir?!"

Tudo o que faltava para ficar explicito que isto é um blog de miúdas.


Os manequins de Munique


A perfeição é horrível, ela não pode ter filhos.

Fria como o hálito da neve, ela tapa o útero

Onde os teixos incham como hidras,

A árvore da vida e a árvore da vida.

Desprendendo as suas luas, mês após mês,

Sem nenhum objetivo.

O jorro de sangue é o jorro do amor,

O sacrifício absoluto.

Quer dizer: mais nenhum ídolo, só eu,

Eu e tu.

Assim, com sua beleza sulfúrica, com os seus

Sorrisos.

Esses manequins inclinam-se esta noite

Em Munique, necrotério entre Roma e Paris,

Nus e carecas com os seus casacos de pele,

Pirulitos de laranja com hastes de prata

Insuportáveis, sem cérebro.

A neve pinga nos seus pedaços de escuridão.

Ninguém por perto.

Nos hotéis

Mãos vão abrir portas e deixar

Sapatos no chão para uma mão de graxa

Onde dedos largos vão entrar amanhã.

Ah, essas domésticas janelas,

As rendinhas de bebé, as folhas verdes para enfeitar,

Os alemães a dormir, espessos, no seu insondável desprezo.

E nos ganchos, os telefones pretos

Cintilando

Cintilando e digerindo

A mudez.

A neve não tem voz.


Sylvia Plath (1932-1963)


9.8.07

A mulher de vermelho desliza por entre os corredores caiados de branco num imaculado amontoado de lençóis. As palmas das mãos viradas para o céu na vã esperança de as ver furadas por pregos ferrugentos. “Quero ser mártir, mártir por mim. Sim sou egoísta e depois? Não o terá sido também Jesus ao leva consigo toda a gloria daqueles que também morreram pelos outros? Pois bem, eu não roubo gloria a ninguém. a não ser a mim própria. Isso não faz de mim ladra. A gloria pertence-me! Serei mártir por mim”

tenho lepra

a carne cai-me aos bocados. um rasto de sangue atrás de mim, qual caracol com o período. o amor sai-me pelos poros, libertado por erupções de medição métrica.os meus olhos pendurados, como dois trapezistas envoltos em chamas, suspensos face ao abismo.
desfaço-me a cada segunda que passa. alguém que me guarde a carne, que a segure no braços, alguém que a coma. canibalismo? isso pode ser amor


6.8.07 (madrugada)

2.8.07

fomos de férias.

te um dia*

28.7.07


Sofi, meu doce, adverte-te!


Ass. toda a gente que te curte/gosta/(a)dora/ama

27.7.07

"

Quando tinha três anos queria ser cozinheiro; aos seis, Napoleão. À medida que
cresco a minha ambição também é maior.
"

Salvador Dali

Este pequeno post é dedicado à Matilde e ao blog.

26.7.07

alguem se junta à causa do Massivo Bah?

*bah*

23.7.07

"After Roger everything has changed.
Now we are a modern couple, darling!
More wine?"



In "Being Julia"

22.7.07

ele gostava de matar coisas. talvez fosse pelo poder, sim deveria ser isso. ter a vida da alguém nas suas mãos, fazê-la rebaixar-se, procurando piedade, e por fim aniquilar qualquer esperança esmagando o frágil pescoço com as suas gigantes mãos.

era 13 de junho e a rua hoje estava bastante convidativa. pegou no sobretudo e bateu a porta com estrondo. pós o pé numa poça da água mas isso hoje não importava, a rua cheirava a morte.
um pássaro caiu-lhe aos pés, vindo do céu. "é a dádiva de deus, a morte é a dádiva de deus". pegou no pássaro e arrancou lhe a asa, guardou-a no bolso. "há pessoas que andam com patas de coelho, eu cá prefiro asas de pássaros"

uma vez tinha lido um livro sobre um senhor que punha pássaros vivos nas caixas toráxicas das suas vitimas, depois de lhes cortar os seios e de as violar. isso era amor para ele. dar-lhes a vida de volta, o pássaro vivo, atado, no lugar dos seus corações. não era simplesmente largar os corpos como se estes tivessem sido inúteis ao seu serviço, não senhor! era trata los com carinho e cuidado, ata-los com fortes nós e delicadamente atira-los para o caixote do lixo. dar a morte como alimento às ratazanas.

ele rejubilava ao ler a paixão pela morte de outros e admirava-os. ele sentia-se verdadeiramente altruísta, deixar-se sobreviver neste reles mundo, proporcionando o milagre do fim aos outros, mandando-os para longe daqui e para um lugar que ele acreditava ser bem melhor que este.


Fim?

20.7.07

Um desvaneio, loucuras...

Quando ela aqui chegou não se deixou levar por vaidades e luxos, não! Bem, também não os esnobou completamente, mas pelo menos continuou a ser ela mesma, delicada e elegantíssima e ao mesmo tempo a menina que sempre foi. Quando estou com ela sinto-me tão feliz, orgulhosa... Eu sei que ela sentiu a minha falta. Vai ser sempre minha, aconteça o que acontecer. Se tivesse que morrer, ia querer que isso acontecesse pelas minhas mãos, tenho a certeza... Nem que tivesse de a apunhalar no pescoço!
Já ele... Não me liga nenhum! E o pior? O pior é que eu o amo. Está cego, completamente perdido. Não vê que estou disposta a amá-lo, só pensa na empregada lá da pseudo-chique-Croissanterie, que ainda por cima é uma grande prostituta! Então não é que já dormiu com todos os homens e mulheres da "sociedade supostamente anónima"?!
Ele diz que eu sou um doce e eu juro que quase desmaio quando ele passa aquelas mãos grandes com dedos magros na minha cara, mas o problema é que não passa daí. Só falta dizer que sou como uma irmã para ele. Dava-lhe um tiro! Com a arma dele para ser mais dramático - "Homem morre com pólvora da sua própria arma".
Em contra partida o outro marmelo não me larga e ainda para mais está sempre a suspirar e a declamar poesia em francês ao meu ouvido. Será que ainda não percebeu que Shakespeare e French não combinam? É preciso ter muita falta de chã!
Outro dia apanhei-o a meter a mão no decote da outra e como ele viu que eu vi veio logo pedir "mil perdões", mas comigo ele não brinca! Não! Lá porque não conseguiu meter a mão no meu, não quer dizer que tem que ir tentar nas outras... Ora!

"O mistério do amor é maior que o mistério da morte."

Oscar Wilde

"O homem só é um mistério completo para si próprio."

EU sou a maior conhecedora de Marcel Proust do mundo!



[Piada limitada]

18.7.07

Vai-te lixar sofia!

QUERO UM POST TEU!


(daqui a uns dias tambem te peço um filho)

12.7.07

Instabilidade Irreversível.

Era uma vez um menino de bigode que gostava muito de brincar à batalha naval na banheira. Foi crescendo, começou a jogar golf e o papa arranjou-lhe um trabalho bueda fixe.
Hoje o menino é crescido e é Presidente do Mundo; o bigode nunca o abandonou nem o gosto pela batalha naval mas hoje os navios deixaram a banheira amarelada para passarem aos mares.

Um dia, um menino do Oriente com uma grande barba mandou um missil para o monopolio do menino de bigode e aí ele zangou-se. Muito. Tinham-lhe interrompido um momento de grande importância política: ler histórias aos meninos cujo bigode ainda não cresceu!


(preguicite aguda novamente)

Não percam o próximo episódio porque nós também não!

9.7.07

Hoje pusemos a hipótese de eu mandar uma carta ao Dr. Phill, aquele psicologo da tv, sabem?

acho que devo muito ao senhor Phill. houve um programa que ele fez sobre crianças loucas que batem nos pais, a minha assustou-se tanto com aquilo que agora valoriza-me como um diamante.
o que na verdade corresponde à realidade.

sou um diamante de muitos quilates!

Haitiiiii

pudim, a sofia vai comprar uma harmonica, agora ela vai fazer um dueto contigo porque eu vou obriga la a aprender a haiti.

Sofia Marcela, na cama da Dora, que nem uma Nazi possuída por Lúcifer!

8.7.07

Era uma vez uma bolota poliglota.

tinha pernas a sairem lhe pelas orelhas e braços pelas narinas.
Assim ninguém lhe punha coisas nas narinas, podiam por noutros sitios mas nao nas narinas.

A bolota falava frances.

...

alguem quer continuar?

é que eu nao.

30.6.07


os intestinos ambosricidas

(8º dia)



os intestinos de Gregor Samsa revolveram-se do seu defunto corpo, como um milagre na sua verdadeira extensão.

Rastejaram pelo soalho frio, deixando um rasto de baba nojenta pelo corredor. larvas e vermes eram deixados pelo caminho fazendo do chão da casa um festim gastronómico para o timon e pumba.

Sorrateiramente entraram no quarto dos seus pais e enrolaram-se nos pés da cama. Subiram pelos mesmos e deram por si no topo do edredão (*) verde, cor que ia muito bem com o seu actual tom de pele.

Cm após cm, aproximaram-se dos pescoços do casal e de rompante ataram-se-lhes em volta e deu-se inicio à feliz asfixia.

1 minuto.

2 minutos.

3 minutos.

4 minutos.

5 minutos.

(morre mãe)

6 minutos.

(morre pai).



Manhã seguinte: o grito.



*
Tyler Durden: Do you know what a duvet is?
Narrator: It's a comforter...
Tyler Durden: It's a blanket. Just a blanket.

26.6.07

sabem o que eu odeio?


Quando são 22h e ninguém me telefona.


Não sei por que raio existe o telefone se ninguém me telefona. Sim, sou uma cabra egoísta mas isso já a minha mãe mo dizia. Nunca a culpei pelas duras palavras com que sempre me acariciou, são coisas da vida. Eu também lhe disse muitas verdades e ainda lhe digo agora que ela está debaixo da terra com vermes em volta.




Deus sabe que vou a missa todas as semanas por isso vou para o céu e aí terei chamadas todos os dias.

25.6.07

deitei um barco de papel ao mar, firmemente vincado ao meu coração.

vi o afastar-se.

perguntei-me ate onde iria ele.
'nao muito longe' responderam-me.

chorei por ele, abandonado no mar.
encharcado, pesado e sem destino.

dois dias depois iria morrer e o meu choro cessaria.


na terceira noite voltei ao mar, mais uma vez o meu cabelo ficou duro e áspero. o sal fez com que todo o meu corpo se tornasse uma gigante lágrima.
era a minha vez de ser deitada ao mar. fui atras do meu coração.

o sol tornou-se difuso pela lente da câmara, as ondas foram repartidas por milhares de imagens.

era a historia dela, dele, do outro.

20.6.07

o meu lado esquerdo questiona se existe um disco para todo o mundo, uma banda sonora que durasse toda a nossa existência. o lado direito pergunta onde é o K-pax world.

Sofia?

17.6.07

Infante corrige-me!


finalmente, algo sai me pelos dedos. fuuuuu correm pelo teclado, as manhosas letras invisiveis que pincham e deambulam em roupa interior por cima do meu pc. e pelos livros tambem. e pelos sonhos mais especificamente.

os cocos e as rosies e tambem as cocorosie que sao uma fusao de rosas e muita merda. ou nao. (eu nao tenho culpa, sao as mafarricas das letras em roupa interior que causam isto!) sao elas que me fazem escrever. despoletam tudo.

tenho pele morta por todo lado, posso puxa-la e ela delicadamente diz me adeus. parece pelicula de ovo, aquela que ta por baixo da casca. nao tenho casca infelizmente. mas podia ter, so pa dizer que "sai da casca" e nao me sentir mentirosa. sim porque as metaforas sao todas uma grande mentira.

por falar nisso, faz se publicidade.
dia 7 de julho, guimaraes, balla à borla. levem mantinha.


(onde está o erro?)

c'est l'histoire d'un homme. c'est l'histoire d'une femme. c'est l'histoire de tout nous.

a falta de amor que por aqui anda, ou melhor, nao anda sequer, é tudo por causa dos exames.
a biologia mata me. o sistema digestivo da hidra mata-me. o coco que lhe sai pelo mesmo sitio por onde entra a comida mata me. a geologia tambem é matildicida. "mom says bitch come over here". o gabro obriga me saber o que sao rochas faneríticas e melanocratas. as leucocratas tambem me aterrorizam. nomes demasiado compridos para serem amados por mim.

mas ha uma excepçao, otorrinolaringologista. essa mora no coraçao.

10.6.07

Tres sites:


www.sonypictures.com/homevideo/marieantoinette

www.thestrokes.com

www.beck.com


Por hoje, da minha parte, é tudo.

:]


Aunt Sophie

"With an a-a-aphrodisiac, your ha-ha-heart goes piddle-pat!"

9.6.07

Gregor Samsa tornou-se uma barata
Eu virei camarão :


Nada mais a acrescentar excepto:
o meu ódio

8.6.07

como tou sem saldo e nao te apanho na net deixo aqui o recado:

PARABENS SOFIA!!!!

PALMAASSSSSSS!

(depois liga me)


um beijinho<3

7.6.07

Nunca mais quero dormir: Hoje tive o 5º sonho de uma série de sonhos estranhos. 8

Como é que descobriram onde eu estava?
Como é que descobriram isso?
Eu estava escondido do mundo e era um esquilo.
Queriam a minha pele.

Medo de dormir.

Tens medo de dormir.
Não consegues acordar?

Ainda não acabei.
Medo de dormir.
Aí vens tu.

Caí e adormeci.
Caí e adormeci.
Caí e adormeci.

Tu não tens graça.
Tu não tens graça.
Tu não tens graça.
Tu não tens graçççça.

Acho que todos os fracos são bem ásperos.
Porque estão todos bebados agora e eu não.
Eu sei que tu odeias impressionar-te com outra pessoa,
Para além de ti.
Mas se tentares e te controlares para não seres um idiota,
Isso vai ajudar.

Medo de dormir.

Onde vais?
Medo de dormir.
Oh! Medo de dormir.
Só assim é que podes saber.

Não acabei.
Lá vamos nós.
Aí vens tu.

Caí e adormeci.
Caí e adormeci.
Caí e adormeci.

Tu não tens graça.
Tu não tens graça.
Tu não tens graça.
Tu não tens graçççça.


The Strokes - Fear of sleep

Notícia de última hora!

O rrrrrrogeer tem um blog!


PontoLinhaPlano
(clica)


roger²: agr tenho um blog
roger²: tb sou gente da web
roger²: e do blog
roger²: ja posso ser vosso amigo
roger²: er..
roger²: http:\\pontolinhaplano.blogspot.com

roger²: pa
roger² : ao contrario dos vossos
roger²: nao curto falar
roger²: por isso so ponho cenas
roger²: que vou vendo e ouvindo
roger²: com links e tal
roger²: mt minimal e tal

31.5.07

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira

É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira

É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho

É um estrepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É uma ponta, é um ponto, é um pingo pingando
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama

É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

Tom Jobim

30.5.07

Parece que também nós fazemos greve...

Melhores palavras virão!

27.5.07

Lições de química


Solubilidade;
Solução saturada;
Mineralização.

Conceitos que arruinaram o (...) coração.

Efeitos Colaterais


Achei que era bonito escrever-te.

Achei que era bonito falar-te.
ouvir-te.
ver-te.
tocar-te.

Achei que era bonito ter-te.

Achei.
. . .


Bernardo Sassetti e Mário Laginha - Sonho dos outros.

26.5.07

O supermercado é uma verdadeira fonte de conhecimento!

"Chupar relaja.
Chupar no mata!"

24.5.07

Para não ficarem com galos na nuca, comecem a usar o olho do cu.

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.


Sophia de Mello Breyner Andresen

23.5.07

Nem sempre o amor é aquilo que nós achamos que ele é.

Pensamentos fugidos que deveriam estar presos.


A mulher, com seu porte altivo, desliza pelo passeio da rua, submersa no seu avantajado ego.

Pára e levanta o seu delicado pé. Não sabe bem porquê, simplesmente o faz e ali fica parada, na cadência da iminente queda.
O Equilíbrio agarra-a pelas goelas e sustem-na. E ali está.
Ali.
Imóvel.
Num só pé.
Poderia começar a saltar ao pé coxinho como o macaco do circo numa corda de nylon. Pensa em macacadas e começa a rir-se. As gargalhadas estremecem seus pulmões que incham e incham e quase que explodem. Os seios saltam, prestes a saírem do seu apertado vestido branco. "Liberdade!" gritam eles. A saia revolta-se por entre as suas pernas e o vento certamente não é compassível como o seu desejo por Equilíbrio.
E ela, ali prostrada no meio do ar e do nada, simplesmente perdeu a noção de si própria afogada em tamanha surrealidade.

As goelas, que o Equilíbrio teimava em agarrar, começam a berrar por ajuda e a corda começa a mover-se, esquerda direita, esquerda direita.
Equilíbrio equilíbrio.
O pé esquerdo também berra agora e em seguida o tornozelo. Oh Oh! Berram berram, terrível sinfonia draculiana.


Depois a cortina caiu e ouviu-se um baque no fundo do palco.

22.5.07

Quando deixamos de fazer das coisas algo obrigatório tiramos muito mais partido delas. É o que se passa actualmente com este blog, ele tornou-se um simples caderno virtual no qual rabisca-se a merda que nos inunda o interior do crânio.

hoje vou fazer um monólogo.
Decente.

Hoje fui à igreja. Ia um senhor de óculos, com cerca de 40 anos, ar pacífico, à minha frente. Olhou a porta da igreja e entrou, e eu, não sei bem porquê, segui-o. Foi um impulso talvez, porque esta não foi a primeira vez que tive quase para entrar na igreja, só que havia sempre medo e receio e nunca entrava, a sensação de ser uma reles pecadora que não é digna de entrar na "casa de Deus"...
Mas hoje entrei. O coração batia-me nas costelas, os pensamentos emaranharam-se como novelos de lã mas os pés moveram-se... Pisaram o chão frio que a empregada lentamente limpava, move banco, levanta pano, limpa limpa.
Cheguei aos bancos e ajoelhei-me, entrelacei as mãos e olhei em frente. E não vi, não vi a luz, senti medo, medo de pensar no que não devia. É estranho isto, quando tu estas na igreja sentes que os teus pensamentos são audíveis, que alguém te viola a mente. Eu tentei orientar-me e depois comecei a pensar. A igreja não é algo penoso, não é uma mentira acho eu, acho que é um sitio onde tu simplesmente pensas e onde ganhas a capacidade de julgar os teus próprios actos, receando que um Deus também o faça. Pensei e acho que me vou confessar, vou tentar encontrar a minha fé, encontrara-me a mim própria.
Quando era pequena, o meu pai disse-me para olhar para as montanhas e pensar o mais que pudesse, com muita muita força, e desejar que elas se movessem, que o desejasse incessantemente e que acreditasse. Que isso era fé e que um dia iria pensar muito e desejar muito que as montanhas se movessem.

Hoje tenho 17 anos e 25 dias e desejo que as montanhas se movam.

21.5.07

Purificação.


à espera da chuva

Deixa-me levar-te à sala dos gritos.
Deixa-me levar-te à sala do choro.
Deixa-me levar-te à sala do sangue.
Deixa-me retratar a fealdade da vida e mostrar-te o quão belo sou.


"Le monde est grands et les gens sont laids."

Para aproveitar um raro momento de internet na escola, gostaria de berrar para todos vós:

NEW YORK HERALD TRIBUNE!
NEW YORK HERALD TRIBUNE!


(espero por berros de volta)

20.5.07

Na sexta. 19 de maio, tive a oportunidade de comprovar que a comunidade de borbulhas que povoam a superfície facial da nossa adorada Dora Lee não se concentra no queixo, nem em qualquer outra zona.
Presumo que seja uma evolução.

23/24/25 e posteriores anos: NADA!


"eu pareço uma maluquinha a puxar a camisola assim pa baixo."

E mais uma aquisição nas nossas preciosas gotas de água.

Desta vez, o contemplado foi o Zero, o Zero que afinal está vivo, (sim, vivo e cala-te) e que veio da Estaca 0, uma belíssima cidade segundo Ninguém.


"Quando for arquitecto, vou fazer casas personalizadas ao ponto de as escadas estão desenhadas para o comprimento do teu passo."

O zero é par.

Vão-se foder.



(não, isto não é um remake do teu momento de revolta e ódio em relação à minha pessoa.)

15.5.07

"A Paulina tinha 4 irmãos.
Um deles suicidou-se, chamava-se Quim. Há três ou quatro anos... não era feliz no casamento,a mulher deixou-o. Matou-se com o remédio dos escaravelhos. Devia ser mais velho que ue 8 anos, 8/9 anos.
Eles eram todos diferentes um dos outros. Viviam todos muito bem mas o pai estourou tudo com casino e mulheres.
Todos os irmãos foram para a guerra colonial, o Quim era furreal, um alto cargo na tropa. Ele recebia um salário que vinha para uma conta do pai. Quando ele chegou cá, o dinheiro ja lá não estava, o pai tinha-o roubado. O pai dele não fazia nada, andava sempre dum lado para o outro. O carro dele era daqueles carros antigos, daqueles modelos esquisitos, os faróis pareciam pontiagudos, tipo os americanos, mas não tão grandes.
A mãe da Paulina era muito grande, muito gorda. Engraçado que eles dormiam todos nos mesmos quartos, os rapazes num, dormiam dois a dois, e a meninas num outro quarto, em camas separadas.
A Paulina morreu, começou a beber muito, morreu de cirrose. E a mais velha, a Gusta morreu também. Essa não tinha filhos. A Laura, que trabalhava na pichelaria Mouzinho, ela também bebe muito, anda sempre a esconder as garrafas em casa. Vinho do porto sabes?
A Gusta, ainda me lembra, ela vinha namorar para fora da casa e dizia ao namorado que ia a casa da banho, mas não era nada disso, ela vinha beber vinho. Sempre a conheci bêbeda, ai os irmãos ficavam fulos com ela, sempre na adega. No verão, não havia um dia em que ela não estava bêbeda. O marido da Rosa, uma das irmãs, também morreu. A Cândida sempre foi a de nariz mais empinado delas todas, formou-se em enfermagem em Lisboa, mas nunca se casou. Agora trabalha no Hospital de cá.
-Uma família estranha...
Foi."

Maria do Carmo Freitas.

9.5.07

Crianças, temos uma nova gota de água!


Dora Lee Produções apresenta:

O Minuto do Ódio



DORA LEE says:
dantes aí pelos 13 anos tinha o nariz xeio de borbulhas
DORA LEE says:
dpois ali aos 14 /15 era na testa
DORA LEE says:
dpois aos 16/17/18 era na cara toda
DORA LEE says:
dpois aos 19/20/21/22/23 é no keixo

6.5.07

Os hamsters estão destinados a morrer nas nossas mãos.

3.5.07

<3 Já tinha publicado este texto no fotolog, mas apeteceu-me juntá-lo aos outros textos do nosso amado blog.



Ele entrou no quarto onde ela já se encontrava deitada sobre os lençóis. Tirou a arma que trazia no cinto da sua farda e pousou a em cima de uma pequena mesa junto da janela. Ela sentiu a sua presença. Ele chegou perto dela, tirou o casaco coberto de medalhas e estrelas douradas e tirou também o cinto alusivo a pátria. Acabou por deixar tudo num canto, longe da luz das velas que iluminavam o pequeno espaço. Ela, lentamente, sentou se na cama e ficou frente a frente com ele. Ele arregaçou as mangas da camisa, agarrou o pescoço dela e voltou a deita la na cama. Puxou o vestido dela, fez com que ele escorregasse pelo seu corpo pálido. Quando chegou ao umbigo parou e recuou. Deu um passo a trás. Ela tinha deixado um ferro sobre as velas e ele foi buscar esse ferro, que parecia agora ferver nas mãos dele e no olhar dela, que se agarrava com toda a força a almofada deitada ao seu lado. Parecia ansiosa e assustada. Ele voltou a aproximar se dela. Passou lhe a mão pela cabeça e depois pela barriga. Acariciou o seu umbigo. Agarrou com força o ferro e agarrou também um pouco de pele que envolvia o umbigo. Perfurou esse bocado de pele com o ferro quente, muito quente. Ela gritou. Ele fechou os olhos. O ferro caiu ao chão e o lençol ficou manchado com sangue.

1.5.07

É interessante o sentimento que às vezes possuímos quando queremos escrever algo extremamente belo recorrendo a algo tão visualmente seco quanto letras. Nós bem que podemos "floreá-las" e fazer umas doces torções na perninha do "g" ou substituir as pintinhas do "i" por coraçõezinhos mas isso só torna a coisa ainda mais superficial.
Por isso acho feio quando as pessoas escrevem sem nunca recorrerem a uma metáfora, sem nunca descrever emuma acção, cingindo-se a algo tão plano quanto sentimentos. Quando as letras são usadas desta forma, o texto torna-se abominável, não vês lá nada, é tudo aborrecidamente da mesma cor.
Atirem sangue para o papel, ponham-lhe dor, facas e morte. Ponham sorrisos, saltos e elefantes a correr. Ponham flores a abrirem e outras a murcharem. Façam das letras os vossos olhos da mente.


As palavras são o pincel de um pintor cuja destreza manual não é superior à de um elefante.



(e isto deveria ter sido algo mais bonito)

30.4.07

Um dia faço uma crítica a um album. Mas não hoje.

Entretanto, um "som", como diz o bellechior...

The Gossip - Are u that somebody?
(carregar em listen)

_______________________________________


(para não tar a fazer um novo post, condensam-se as coisas)

Hoje vi um filme que me foi sugerido por um ser vivo muito peculiar: Alta Fidelidade.

Não vou fazer uma crítica ao filme nem nada que se pareça, vou simplesmente fazer uma citação muito apropriada:


             Awhile back, Dick and Barry and I
        agreed that what really matters is
        what you like, not what you are
        like...
             Books, records, films -- these
        things matter.  Call me shallow but
        it's the damn truth (…).

Ponto da Situaçao:

Amanhã é feriado! Dia do trabalhador.

E porque é que há horas e dias da semana?
Porque as pessoas são viciadas em trabalho e estes são uma maneira de ajudar na organização metódica do mesmo.

Nao é cómico?

Vão mas é trabalhar amigos e deixem se de tretas e feriados e pontos aqui e acolá... Este país precisa é de andar para a frente e não de ficar parado no tempo a assistir ao desenvolvimento dos outros países! Ao progresso da humanidade!

I dont like Mondays.

E mais uma segunda-feira para juntar aos milhares delas pelas quais já, penosamente, passámos.

Ninguém gosta de segundas, pobres dias discriminados descaradamente por 99.9% da população deste mundo mundial.

Na verdade, não faço ideia onde vou eu ter com estas divagações acerca do primeiro dia da semana. Hmmm, na verdade, a segunda feira é mesmo o segundo dia da semana e não o primeiro.
Porra, por que é que há ordem dias? Nós continuamos todos atarantados de qualquer modo, independentemente de sabermos ou não que hoje é o dia 30 de abril de 2007. Ter dias denominados, marcados em calendário para toda a eternidade parece-me alguma estratégia louca de opressão criada por um qualquer maniaco por organização mundial. Não vou pôr aqui o seu nome porque bem, isto não é o wikipedia e tambem porque me ensinaram que devemos procurar as coisas para não sermos uns preguiçosos de merda.

E pronto, acho que me fico por aqui deixando no ar uma lição de moral (que certamente ninguém vai receber como algo valioso.)


Nhe.

29.4.07

E pronto, mudámos.
Fazemos parte deste mundo caótico e enlouquecido e por isso somos sujeitas aos seus ciclos.

Mas não vou ser eu a fazer o discurso, mas sim a Sofia, ou não teria sido ela a iluminada que veio com este belíssimo título É arte, Lolita.

Ela é um génio com um QI de 300.

Veneremos a Sofia irmãos!

28.4.07



Eu sei que isto não é um flog mas, às vezes, as palavras são dispensáveis.

26.4.07

25.4.07

do Lat. Amores, s.m.,viva afeição que nos impele para o objecto dos nossos desejos; inclinação da alma e do coração; afeição; paixão; inclinação exclusiva; graça teologal.

Ágape é o amor total, o amor que devora quem o experimenta. Quem conhece e experimenta Ágape, vê que nada mais neste mundo tem importância, apenas amar.


<3

O segredo que partilhavam cresceu entre eles como um prado de flores silvestres na Primavera. Nikolai vinha vê-la todos os dias, como habitualmente, mas agora ficava durante mais tempo, conciliando as suas visitas com as suas obrigações no palácio. À noite, quando terminava os seus afazeres, voltava para perto dela e dormiam juntos. Dissera à esposa que agora precisava de ficar no palácio todas as noites por causa de Alexei. Marie parecia nem se importar com isso, portanto, não tinha quaisquer objecções a que ficasse fora toda a noite.

Danina estava maravilhada. Nikolai ensinara-lhe coisas que a uniram a elede alma e coração para sempre. Partilhavam tudo, as esperanças, os sonhos, os medos de infância. Apenas temiam perer-se um ao outro.

- Fica comigo. Não temos de fazer nada que não queiramos. Apenas te quero aqui comigo. - O lugar dele era ali e ambos o sabiam.

- Boa noite, meu amor - segredou-lhe antes de adormecer.


Mas, e se Nikolai a abandonasse?


in "Granny Dan", Danielle Steel.

24.4.07

É quando as palavras se tornam universais que o silêncio impera.

E agora, todos nós esperamos pelo silêncio.

23.4.07

"We're always working to improve your social experience."

-hi5.

Mais uma vez.

Tenho fome.
Mais uma vez, durmo.
E outra ainda, sento-me.

Mais uma vez, outra vez.

Tudo mais uma vez. Sempre. Todos os dias.
Todos os dias...
Dias.

8.4.07

Ás vezes pergunto-me se certas recordações são realmente minhas, se não serão mais do que lembranças alheias de que eu tivesse sido actor inconsciente e das quais só mais tarde vim a ter conhecimento por me terem sido narrados por pessoas que, por momentos, foram transeuntes na minha vida, meros “amigos de curta-duração”. Pedaços de uma existência ignorada que depois chocam com os minutos que fazem parte da minha vida.

Ás vezes pergunto-me se serei o único que sofre desta patologia não reconhecida pela comunidade médica, se serei o único adormecido, se serei a única vítima deste sonambulismo social.

“Possuir a nossa vida”, que conceito tão estranho. O que é a vida primeiramente? Se ela realmente é algo, será que a controlamos? Mas não, devo parar de pensar nisto, tenho de parar. Parar. Porque estarei eu a especular sobre algo tão distante e tão pouco concreto quando tenho coisas com que me preocupar mesmo aqui ao lado? Por exemplo a senhora que tosse intensamente, uma senhora de aspecto reles e sofrido, que tosse e tosse, cospe todos os seus pecados.

Será que também ela se sente como eu? Ou será que a sua vivência sofrida a encaminha para uma ignorância anestesiante? Quase que aposto que sim, que ela ignora isto. Por isso penso eu nisto, substituindo o seu lugar. Na verdade, todos nós fazemos parte de uma sociedade, quer queiramos, quer não e por isso temos as nossas funções, o nosso lugar neste mundo insípido. E eu não descuro tamanha posição e agora questiono-me: porque raio perdemos essas recordações? Isto é, se é que alguma vez as perdemos. Talvez seja tudo uma invenção, não sou a primeira a pensar nisto, muitos outros com a mesma função também o fizeram. Talvez estas recordações seja um meio para algo de maior, podem ser um método de tortura emocional ou de simples complementação fazendo com que tudo em nós mude, gerando sentimentos de culpa ou de orgulho, de ódio ou de amor que não desaparece.

Decido considerar as minhas recordações: são recordações que me partem o coração, que me inundam de saudade e que lenta e dolorosamente me sugam o espírito. Recordações que eu teimei em esquecer e que agora são trazidas de volta. Desejei tornar-me indiferente, mais um filho do meio de Deus, ansiei nada em busca de uma medíocre realização pessoal. Decidi esquecer as loucuras de outrora para me poder completar agora. Mas não, o passado não deixa, acorrentado ao meu pé, ele não me larga, arrasta-se, sinfonia mutiladora.

Não!

Pára!

E agora sim, o silêncio interior.

Junto-me à senhora, que continua a cuspir toda a sua vida por aquela boca infeccionada pelo tempo, e respiro a ignorância apaziguadora, rejubilo no vazio mental.